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Nossa sociedade e nossa mídia, sobretudo a televisiva, têm nos levado a crer que regras são ruins e devem ser quebradas, quando não abolidas. Misturam e confundem as noções de liberdade de imprensa, liberdade de expressão, censura, livre mercado e direitos de minorias, entre outras, com a total e completa ausência de regras. Dão a entender que regras, normas, protocolos e afins apenas atravancam e atrapalham as coisas, inclusive a obtenção de empregos. Apenas esquecem de dizer que, ao contrário, são justamente as regras (leis em geral) que definem e garantem nossos direitos, inclusive os de cidadania. Em conseqüência disto, desprezamos a necessidade de regras, tanto e a tal ponto, que instituímos a complacência total. Tudo é permitido, tudo é aceitável, e, no caso da educação infantil, "ai daquele(a) que contrariar minha criança". Estes pais complacentes, que pensam que educar bem é nunca dar palmadas ou não ralhar com seus filhos, estão, na verdade, reforçando a atitude infantil deles, ou seja, educando-os para serem, sempre, mimados, fúteis, irresponsáveis, inconseqüentes e egoístas. Em uma palavra: criança. Mostram a seus filhos que, as regras, se existirem, devem ser odiadas e, graças a papai e mamãe, podem e devem ser ignoradas. No entanto, estas "crianças", rapidamente se tornam verdadeiros déspotas, que acham que o mundo deve lhes servir, sempre. Desconhecem os seus limites e os dos outros, pois, para estes futuros adultos, os outros simplesmente não contam. Como nunca (ou quase nunca) foram punidos ou orientados de forma mais contundente, acham que tudo que fazem, ou venham a fazer, é inconseqüente e será acobertado por alguém (mormente seus pais). Desta forma, não deveríamos nos espantar quando estes garotos e garotas se tornam animais briguentos, verdadeiros "pit bulls" malhados, prontos a "dar porrada", jogar sacos de mijo em pessoas em pontos de ônibus, queimar índios e mendigos dormindo em praças, matar casais gays desavisados ou, pior ainda, assassinar os próprios pais apenas porque "eles não aceitavam meu namoro com Paulinho". A famosa "educação que se traz de casa", que deveria ser a solução para esta situação, simplesmente não existe mais. Vê-se, claramente, que a educação caseira destas crianças, obrigação única e exclusiva de SEUS pais, não está ocorrendo de forma efetiva. Estes pais negligentes, não raramente por preguiça, preferem delegar a função de educar seus filhos a Xuxas, Elianes e Maras. E isto numa boa perspectiva, porque numa perspectiva ruim, estas crianças acabam sendo educadas, na prática, na rua. De qualquer forma, trata-se de uma espécie de "terceirização da educação infantil". Apenas não vêem (ou simplesmente ignoram) que esta "terceirização" piora, em muito, o que já seria ruim. A futilidade e a noção de que "vale tudo" acabam sendo amplamente reforçadas. Por fim, meus amigos, pais ou não pais, sejam responsáveis. Eduquem, de verdade, seus filhos. Mostrem-lhes, o quanto antes, que o mundo é feito de pessoas além deles próprios e que todos, repito TODOS, merecem respeito; que ninguém é melhor do que ninguém; e que o mundo cobra caro quando eles têm atitudes agressivas e ofensivas para com os outros. Enfim, ensinemos nossas crianças que,um dia, elas deverão ser ... adultas. |
| Dígito July 5, 2004 05:21 PM PDT Díogenes, boa tarde. Instigante o seu blog. Vim por um convite de sua esposa. Sobre crianças, moderidade e psicologia infantil, sou do tempo do "Zé Chinelão". Não morri por isso. Muito menos deixei de amar meus pais por causa dos castigos merecidos. Se existe a tirania das crianças, há dois culpados: pai e mãe. Ah, há também os titios, madrinhas, vovós... []s Dígito | ||
| Luís Ricardo - Ojii-chan July 4, 2004 07:21 PM PDT Devo dizer que achei seu blog simplesmente incrível. Ao contrário de outros, não me foi possível comentar o conteúdo lido apenas no post mais recente, como é de praxe. Tive que fazê-lo individualmente. Acho impressionante que poucas pessoas vejam essa verdade quanto à criação dos filhos. Estariam cegas de amor ou seriam fracas para impor limites, atendendo a uma fantasia de desejar um mundo onde estes não existam? Será que buscam satisfazer seu próprio egoísmo fortalecendo tal sentimento nos filhos, sem perceber que poderão ser suas vítimas? Quanto a quebrar regras, creio que a mídia também é responsável. A sociedade norte-americana, pródiga em regras e manuais e que centra todo seu sistema educativo (dentro e fora de casa) na obediência às normas, utiliza seu cinema como catarse, onde os vitoriosos são justamente aqueles que as burlam. Mas aquiloé um mundo de fantasia, pois eles aprendem que na vida não é assim. Mas qual o efeito desses filmes em uma cultura onde a norma é sempre subvertida em favor do jeitinho? Vou parar por aqui, senão o comentário vira um post... Um abraço, | ||
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